30 de novembro de 2008

Nozes II

 

Há tantos nós aqui dentro

que se um só nós

desata,

reatar de novo

não será fácil

como é na gravata

acho que um dia desses

uma cisma dessas

ainda me mata.

 

 

Kabs

25 de novembro de 2008

Turismo literário

 

Curta toda a viagem,

passageiro das palavras

de avião ou carruagem

 

Sem itinerário,

 de um pensar ao outro,

sem obrigação de horário

 

de Leminski à Pessoa

numa página Curitiba,

na outra, Lisboa.

 

Kabs

24 de novembro de 2008

Noturna

Sonho recorrente,

quando procuro o rosto,

acordo de repente...

 

Kabs

21 de novembro de 2008

Velhos tempos modernos

 

O som do sino

nesses novos dias

vem do alto-falante,

quase tudo muda

só uma norma

ainda é constante:

o valor do fiel

vem do fato

dele ser pagante.

 

Kabs

20 de novembro de 2008

Fraterlicidade

 

O amor e a amizade

não são irmãos

por um triz.

Mas caso fossem,

a amizade seria

a irmã mais feliz.

 

 

Kabs

19 de novembro de 2008

Fator etário,

dos 15 aos 25

todo amor é otário.

 

Kabs

18 de novembro de 2008

Rimo e rimos

Passarinho parnasiano,
nunca rimo tanto como faz.
Rimo logo ando com quando,
mirando menos com mais.
Rimo, rimo, miras, rimos,
como se todos rimássemos,
como se todos nós ríssemos,
se amar fosse fácil.
Perguntarem por que rimo tanto,
responder que rima é coisa rara.
O raro, rarefeitamente, pára,
como pára, sem raiva, qualquer canto.
Rimar é parar, parar para ver e escutar
remexer lá no fundo do búzio
aquele murmúrio inconcluso,
Pompéia, idéia, Vesúvio,
o mar que só fala do amor.
Vida, coisa pra ser dita,
como é dita esse fado que me mata.
Mal o digo e já meu dito se conflita
com toda a cisma que, maldita, me maltrata.


Paulo Leminski

12 de novembro de 2008

amar,

é agir incondicionalmente

sonhar que vale a pena

sempre seguir em frente

é sina de quem ama

sentir os pés nas nuvens

cada vez mais

dentro da lama.

Kabs