29 de fevereiro de 2008

Pró-cessar
.
faço o que faço
com calma
régua e compasso,
mas o acerto
é num instante
e o erro
é passo a passo.


Kabs

28 de fevereiro de 2008

Ato I

As palavras batem no ouvido
e as lágrimas batem no chão

Ato II

A saudade ali nasce
vive e morre em vão
Kabs

27 de fevereiro de 2008

TEMPORRAGIA

Minhas mãos estão cheias de horas
meu corpo repleto de dias
quantos meses no meus braços...
vários anos na minha cara
já não sou só eu quem repara

estou sujo de tempo
de tentar estancar
a temporragia incessante
que a mim esnoba

essa crosta de minutos
me incomoda
essa craca de segundos
me coça

e não será o sabão das minhas lágrimas
que irá me limpar
tão pouco pouco será a morte
que a diluirá

as marcas ficaram pra sempre,
mas a vazão dessa comporta
só meu coração
pode enxugar.


Kleber Bordinhão

26 de fevereiro de 2008

O mosquito


Lá vem o mosquito
sempre chato
e nunca bem quisto

lá vem o mosquito
é só comida de sapo
juro que é só isto

já cheio da sopa
zuzumzeia minha noite

se mete em meus planos
e alopra meus sonhos

lá vem o mosquito
lá vem o mosquito

pousa no meu nariz,
quando minha boca
pousa na dela

profana minha intimidade,
testemunha barulhenta
da minha privacidade

zunindo
zunindo

lá vem o mosquito,
pára na mesa
perto do fogão

lá se foi o mosquito...
me despeço dele
com a palma da mão.



Kleber Bordinhão

25 de fevereiro de 2008

A lente
.
.
Na sua frente estão as chances
escondidas como se fossem iguais
contidas em sutis nuances
nada de brilho, nada demais

e quem as difere, não é o sol
não são seus olhos
nem o coração clichê,
aqui oque enxerga
é algo que não vê
é algo que não vemos
tão poucos tocamos
e nem sempre sentimos

é oque nos custa lágrimas
é oque nos custa vida
dizem que ela está no amor
ou que no dinheiro, está contida

o fato é que a felicidade
esse vento nas mãos,
é a lente do mundo
mesmo também sendo o foco.


Kleber Bordinhão

24 de fevereiro de 2008

Enxotar:
É o ato feminino
de amar.



Kabs

23 de fevereiro de 2008

O passado não reconhece o seu lugar: esta sempre presente.


Mario Quintana

22 de fevereiro de 2008

Arte

Talvez seja o ar
que suporta,
só pode ser o ar
que sufoca

ou
arsênico?

caso clínico de envenenamento
num ar sínico, ou cênico
um ar senil que vicia
até oxigênio puro asfixia.




Kleber Bordinhão

21 de fevereiro de 2008

Sonhos sem juros

Exitem dois tipos de sonhos:
O sonho da noite e o do dia.
Ambos têm seus prós e contras, vou tentar ser imparcial
embora tenha clara simpatia por apenas um deles.

O sonho da noite é o clássico, lúdico, romântico e democrático.
Democrático?Explico (sem entrar em méritos freudianos)

Nós, pseudo-imperadores da nossa consciência, não o controlamos,vêm sonhos de amor,drama, terror, comédia, não os controlamos.Aquém da nossa torcida pra sonharmos com algo ou alguem que gostemos (quem nunca fez isso?), é o tipo de sonho que nos desperta sentimentos imediatos, sabe aqueles 10 minutos imediatamente depois que acordamos? Em que você lembra de tudo na íntegra? Ou quando no decorrer do dia, a lembrança dele nos salta e ficamos desligados por segundos, pensando...

Temos o sonho da noite todas as noites, por mais que não lembremos.Brincalhão e descompromissado,vezes nos envergonha noutras nos alerta sobre fatos que o segundo tipo de sonho nos impede de enxergar.

E o segundo tipo?(Esqueçam o papinho de imparcialidade do início, isso aqui não é a Wikipédia)
O sonho do dia teoricamente também esta presente todos os dias, mas sua incidência aumente no segundo semestee ele começa a surgir, com as luzes piscantes,votos de felicidade e consumismo voraz.
Ele faz parte do pacote trinômio: Hipocrisia-natal-ano-novo.É aquele sonho que te cega, sinônimo de ambição.

Na verdade o "sonho-ambição" não é um problema, evidentemente (quase) todos nós precisamos de um norte,mas nos últimos tempos ele tem sugado a vida de quem entra de cabeça nessa.
O que incomoda é o tom corporativo/comercial que a palavra sonho tomou e a banalidade com que ela é citada.
" Realize seu sonho em 10x sem entrada!"
ou
" Meu sonho é ser um executivo de sucesso."
Eu prefiro a velha frase " Quando eu crescer quero ser bombeiro!"Aliás por que as crianças não dizem mais isso?Por que não querem mais "ser bombeiro"?Isso é uma outra discussão.

O Sonho deve sempre ter uma analogia a algo abstrato. E a ambição sim, essa é material.Quando as duas coisas se confundem, algo esta errado.
Ou não?


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Agora,nessas últimas linhas, percebo que a minha injúria é com o " o mundo dos negócios" e acabei pegando a palavra sonho pra cristo.
Fuga do tema.
Zero na redação.






Kleber Bordinhão
De tanto não poder dizer,
Meus olhos deram de falar.
Só falta você ouvir.


Alice Ruiz

20 de fevereiro de 2008

O melhor tempo



Me disseram que estou parado
vendo o tempo passar.
Mas não o vejo
vejo oque ele faz, mas ele em si, não.
Me vejo parado, sentado numa pedra
Esperando o tempo passar...

Ouço alguns acordes e lembro:
O tempo não pára.

Mas ele passa.

Mas se ele for rápido demais?

Nada mais decepcionante que só conhecer o vulto do tempo.

E quanto a mim?
Parado nessa pedra, não posso ficar.
Desisto do tempo.

Decido, não quero ver o tempo passar
nem quero correr atrás do tempo
ando antes dele
melhor,
corro antes dele
e espero que quando ele me alcançar
eu ja esteja de olhos fechados.



Kleber Bordinhão

7 de fevereiro de 2008

Medo do Mesmo

Sou uma pessoa essencialmente contemplativa.
Vivo pensando, refletindo, enxergando além...
Procurando desculpas para justificar rodeios
Às vezes isso me faz bem,outras nem tanto.

E um tema que é sempre recorrente em meus devaneios
(espero eu que seja só por enquanto)
é a natural, mas temerosa velhice.
Essa entidade que insiste em me intrigar e me amedrontar,
mas que, sem cerimônia, ali na frente, parece despontar
subliminarmente, discretamente, sem a menor pieguice.

Depois de uma sequência de elucubrações febris
consequência talvez, creio eu, de rara epifania
cheguei a uma conclusão que serviu de terapia
ou mesmo de consolo para meu medo infeliz

A velhice não me apavora pelas rugas que ela traz
nem pela inegável proximidade com a morte
o que me leva a um estado de melancolia voraz
é ter a consciência de que cada dia vivido com lucidez
paradoxalmente, faz diminuir, em quantidade
as chances de experimentar algo novo pela primeira vez.

Claudia Fernandes
http://prosaicospoemas.blogspot.com/