24 de setembro de 2007

"A bondade é o melhor status que o ser humano pode comprar"




Frase do Filme nacional:

Quanto vale ou é por quilo?


Extremamente recomendado.

22 de setembro de 2007


A Revolução Musical

“Se o rádio não toca a música que você quer ouvir, não procure dançar ao som daquela antiga valsa, é muito simples, é só mudar a estação”. A máxima profética de Raul Seixas já pregava nos anos 80 a liberdade que vinte anos depois chegaria com a internet e tiraria as correntes dos consumidores de música e o sono dos executivos das grandes gravadoras.

A “revolução digital” na música esta aí pra todo mundo “ouvir”, graças a internet, estamos livres das mídias. Já é fato, o formato CD está moribundo e muito em breve se reunirá com seus falecidos amigos, LP e K7. A indústria da música como seus olhos de cifrão, não acompanhou a evolução desse conceito de liberdade.

Quando surgiu a cultura de se ouvir música além do rádio, no início do século XX também veio a necessidade de se armazená-la . Então foram produzidos os primeiros discos de vinil de 78 rpm, e mais tarde quando a indústria musical tornou-se um grande negócio, foi que os papéis se inverteram, ou seja, o produto que era a música passou a segundo plano, dando lugar de produto ao meio no qual ela seria distribuída e assim, “casando” por um bom tempo a música e a mídia física.

Do vinil de 78 rpm, para o de 45 rpm, ainda com o de 33 rpm, passando depois pelo K7 e chegando ao CD, a indústria obrigou os consumidores a consumir suas mídias e de tempos em tempos trocá-las além de trocar também os aparelhos que as reproduziam, em nome da qualidade que as novas tecnologias traziam. E é essa mesma tecnologia que está decretando o fim desse sistema.

Pois o próximo passo na evolução da música como produto, não foi dado pela indústria e sim pelo consumidor. Ao criar o formato MP3, e desvincular da música a necessidade da distribuição por algum meio físico, os consumidores finalmente tornaram se “livres”. Só com a troca de músicas pela internet consolidada, que as gravadoras se renderam ao formato digital, dando a música em si o lugar de produto, agora se percebe o quanto sempre nos custou, o disco propriamente dito, com músicas sendo vendidas por menos de um real.

A revolução digital trouxe a da facilidade de distribuição, é enorme o número de artistas que estão podendo mostrar o seu trabalho graças à internet. Trazendo à tona o conceito de single que há tempos estava esquecido, o artista disponibiliza uma música avulsa sem precisar de uma gravadora, ou até da gravação de uma álbum com várias faixas. São várias as bandas e cantores que são “crias” desse mundo digital

Sabendo que a maior parte da renda de um artista vem dos shows que promove e não dos discos que vende, internet passa ser uma grande vitrine para se conhecer novos talentos e assim alavancando a carreira dos artistas sem a necessidade desses serem um fenômeno de vendas. As gravadoras por sua vez, têm casa vez mais a ânsia de fabricar sucessos, com artistas fajutos e medíocres, ganhando dinheiro com “jabás” para rádios e TV’s e ainda com a venda de discos para a massa em geral, que não se enquadra no termo de consumidor de música, pois ouve indistintamente o que toca no rádio ou o que vê na TV fechando assim um ciclo.

Na realidade a o contato com a música ficou mais fácil, a “cultura iPod” é um fenômeno mundial, incluindo sim, o Brasil. Aqui, os mp3 players já são uma realidade muito presente, sendo iPod, pen drive ou celular, é só dar uma volta pela sua cidade e comprovar. Outro fator relevante é que por mais que a internet de alta velocidade nas residências não esteja tão difundida como os players, há de se contar o fato da banda larga estar presente no trabalho dessas pessoas, tornando assim possível a aquisição dessas músicas e a troca delas com amigos, alastrando a distribuição.

O que se pode esperar dessa nova maneira de se consumir música, é sem dúvida uma crescente democratização da experiência musical, pois antes de tudo música é cultura, ( tendo aqui um bom senso do que significa o termo música) e sabemos que cultura nunca é demais, pois citando novamente nosso saudoso Raul Seixas, a vida é mais que “sentar num trono de apartamento com a boa escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar” .



Kleber Bordinhão

20 de setembro de 2007

Autopsicografia

O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira,a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


Fernando Pessoa

19 de setembro de 2007

Ode ao Ade



Comemoremos a tradição!
que nos condena ao atraso
a pura escória da burguesia
seus bailes e sua meninas
as velhas flácidas do poder
e suas coleiras de pedras


Brindemos as famílias nobres!
os governantes, as governantas
a ânsia de sabermos os nomes
de onde vieram, onde brilham
reduto de naftalina e de mofo
travas ideológicas desses campos


Palmas à nossa juventude!
as suas saias, seus bonés
à distribuição de balas, doces
à busca do fútil, do superficial
as danças dos botões eletrônicos
cerimônias de sensações joviais


Ovemos a nossa sujeira!
o lixo que entope nossas vistas
as ruas, as avenidas e os carreiros
nossos prédios de sabão
os rios de descaso humano
sinaleiros, placas, o calçadão


Suspiremos por nossa linguagem!
nossos chapéus e nossos "erres"
nossa procura insana por identidade
por nosso chope, orgulho do torpor
pelos desfiles, pelos palanques
aos mendigos, aos estudantes


Contemplemos esses excluídos!
seus elixires baratos de coca
mostremos nossa solidariedade vã
a coloquemos na ordem do dia
até o dia que as mazelas rebelarem-se
nos afrontem num susto à queima roupa


Venham todos!
Nos curvemos à princesa!
manca, cega, suja, e pomposa
Vejamos de camarote sua queda
essa ponta de inveja que se cutuca
essa ponta de atraso que insurge
acenemos aos que fogem pro futuro
abracemos os que ficam pra enrugar.


Kabs
Errata


Essa é a errata

concreto queimado

no lugar da mata.




Kabs

18 de setembro de 2007

Sossego

Eu não sou folgado
só porque está em pé
e eu sentado.


Kabs

17 de setembro de 2007

Ainda

Atente à sua volta:
Há tontos
Há tantos
Há mortos
Há mentes
Átomos adultos
Gigantes crescentes
Átilas
Álibes
À tarde
À noite
Alicerces voadores
Abaixo de mim
Amigos
Amantes
Assíduos
Assustadas
Há parte da vida
Que funciona assim.
Há céu
Há terra
Há fogo
Amar.


Kabs

14 de setembro de 2007


O S E N S O S

Semana passada houve um censo
em busca do bom senso
no meu pensamento.

Na região do senso comum
a sensação era o sono.

No senso crítico
sobravam socos.

Só se salvou o senso de humor
era só sorrisos...


Kabs

10 de setembro de 2007


Diva vida

Da morte, fala-se na ida
e nem se cita a volta
não é só no fim da vida
que nossa alma se solta.

Kabs

9 de setembro de 2007

Id- Ota

O idiota torna-se idiota mesmo,
quando passa a ter orgulho das idiotices
uma relação de amor com elas,
um cafuné no ciúme estúpido
uma piscadela pra insegurança
beijinhos na paranóia.
E se alguém o avisa sobre o seu estado
o idiota abre a carteira
tira a foto
e morre de saudades
do tempo que era burro.
Kabs

5 de setembro de 2007

"Imprevisto é o nome que os caretas dão aos que os malucos chamam de pira."



Kabs
Pride or Gulho?

CANNABE

oque me cabe
é viver voando
antes que tudo acabe.

Kabs
REALITY SHOW



Olhei pela fresta da porta

e a vi derrubando os livros


parecia ter pressa e medo

a luz piscava e ela nem ligava


vez em quando

olhava pra um quadro

e a sala iluminava-se


repentinamente despertava

fumava

comia

bebia

mas não falava


voltou ao livros

lia trechos deles

entre um e outro

ria, as vezes chorava ....


ao ve-la chorar, chorei.


olhou pra mim

fechei a porta.


Posso com tudo, menos com a minha vida chorando.




Kabs

2 de setembro de 2007

Greve no coração!
Fecharam seu porto,
nenhum barco mais
afunda nesse mar morto.
Kabs